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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

ESBÔÇO DO LIVRO DE APOCALIPSE

Esboço do livro

O esboço de Apocalipse está bem resumido neste texto: “Escreve as coisas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas” (Ap.1.19).

As coisas que viste (passado) capítulo um. João viu Jesus em toda sua glória e baseados em sua visão, podemos perceber quem é Jesus agora em seu estado glorificado. Ele está entronizado à direita de Deus Pai e não pode ser mais reconhecido como o homem de dores.
Ao invés de vê-lo crucificado, vêmo-lo assentado no trono celestial. Ele é rei hoje e eternamente. Esta parte do livro, composta de apenas um capítulo, mostra portanto o Senhor entronizado no céu. Vê-lo como Rei, fará muita diferença em nosso presente relacionamento com ele.
As coisas que são (o presente) capítulos 2 e 3. Estes dois capítulos de Apocalipse falam da Igreja, que é a representante de Jesus na terra. É uma visão de acontecimentos envolvendo mais diretamente a atual época. É o tempo presente, ou seja, a era da Igreja. Temos aqui, a descrição de igrejas históricas (existiram mesmo). São igrejas simbólicas, tipificando características vivenciadas pelas igrejas. Mostra momentos de fortaleza, fraqueza, heresia, ortodoxia, de vida, e de mortificação. Neste sentido, poderemos encontrar nas diversas Igrejas militantes em nossos dias, algumas das características narradas aqui.
São igrejas proféticas. Mostra as diversas fases pelas quais a igreja iria passar. Entendemos que a época da Igreja começou no pentecoste e terminará com o arrebatamento. É a história completa da Igreja que está narrada nestes capítulos.

As coisas que irão acontecer (o futuro) capítulos 4 a 22. Os acontecimentos narrados a partir do capítulo 4 de Apocalipse, mostram o que acontecerá depois do arrebatamento. Nesta época grandes acontecimentos transcorrerão diante dos que aqui estiverem. Surgirão coisas como Anticristo, as duas Testemunhas o ressurgimento do império Romano o Amargedom. Cremos que neste instante a Igreja estará com Cristo, nas nuvens, como veremos no transcorrer do livro.
Apocalipse significa tirar o véu (apokaluyis). Tirar o véu de Jesus glorificado, Tirar o véu da Igreja, Tirar o véu do futuro. Nada ficará por detrás da cortina. Nestes capítulos, apreciaremos acontecimentos futuros e seremos capazes de antecipar detalhes referentes a Igreja, ao Anticristo, ao mundo de um modo geral. Conheceremos as duas testemunhas, veremos o futuro de Israel e daremos uma boa olhada na Nossa morada eterna que é a Nova Jerusalém.
Com este conhecimento poderemos discernir as diferenças entre a verdadeira Igreja e a Igreja apóstata. Acompanhe-nos nesta viagem ao futuro e prepare-se para sentir as emoções que esta viagem ao futuro poderá lhe trazer.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

QUANDO O SILÊNCIO FALAR... ATENÇÃO!!!

by Sonia Costa
Todo ser vivo se comunica, tanto através da linguagem falada, quanto da linguagem escrita e também através do silêncio. Silêncio? Será?… E porque não?! Existe uma frase bastante conhecida que se diz, que: “quem cala, consente”. Será mesmo? Nem sempre!!! Então vejamos!

Quando o homem fala através do silêncio ele pode estar querendo expressar os mais diversos sentimentos. Em determinado momento, durante um diálogo entre duas pessoas, uma delas diz: “está bem, já entendi”… e se cala. Muitas vezes tomamos essa atitude, para que o outro reflita a respeito de suas atitudes intransigentes, ou porque não concordamos, ou porque entendemos que, naquele momento, não existe clima para dialogar.

A partir desse momento, instala-se o silêncio e o outro, que ainda quer se fazer entender perde totalmente a ação, parecendo até que o chão fugiu de debaixo de seus pés. Isto acontece, porque o ser humano é imprevisível e nunca se sabe, quais serão as atitudes e/ou intenções por parte daquele que resolveu calar-se. Somente o tempo irá mostrar o que seu silêncio estava querendo dizer.

Um outro tipo de silêncio que temos o costume de exercitar, é quando nosso interior está totalmente desequilibrado; por não sabermos que rumo tomar, nos isolamos e nos fechamos dentro de nós mesmos. Essa atitude nos ajuda, tanto a encontrarmos soluções através da sabedoria que Deus nos dá, como também damos oportunidade para que Ele fale conosco, e nos mostre onde erramos, se erramos, e como deveremos agir para que tudo volte à normalidade. O maior perigo que enfrentamos com essa postura, é perdermos os amigos e as pessoas a quem dizemos que confiamos e/ou amamos.

Podemos citar ainda, outras situações de silêncio. O silêncio se instala minutos antes de algum acontecimento solene. Também fazemos silêncio quando ouvimos um barulho anormal e precisamos detectar sua causa e de onde vem. Todos permanecem em silêncio quando o juiz irá proferir a sentença de condenação ou absolvição num julgamento e, fazemos silêncio também, quando queremos adorar a Deus com reverência. Outro tipo de silêncio é quando um grupo de pessoas decide, por exemplo, fazer um minuto de silêncio em homenagem a alguém; talvez este seja o silêncio mais previsível e mais altruísta do ser humano.

Fazer silêncio, também é uma estratégia excelente, para se chamar a atenção daqueles que estão em tumulto. Quando um líder faz silêncio, normalmente as pessoas se voltam para ele, esperando entender, ou mesmo obter uma explicação dessa sua atitude.

De um modo geral, diversos tipos de barulhos já estão tão incorporados no nosso dia-a-dia que, quando um deles cessa, sentimos um vazio nos incomodando; somente então é que nos damos conta de quanto aquele som já estava fazendo parte do nosso “bem estar”. Às vezes o cessar de um determinado barulho, nos causa tanta curiosidade, que até vamos verificar mais de perto o que estava acontecendo.

Teríamos ainda muita coisa que dizer com relação à interferência do “silêncio” em nossa vida. Mas quero me deter um pouco mais, com respeito ao “silêncio de Deus”, pois este é o que mais nos desequilibra e mais nos incomoda emocionalmente. Dentro de cada um de nós existe um “vazio”, uma “carência” de auto-afirmação e de segurança, que só é preenchida satisfatoriamente através da presença de Deus. É por isso que quando estamos passando por momentos difíceis, que fogem do nosso controle, estamos sempre nos perguntando: “Porque Deus fica em silêncio, quando mais estamos precisando dEle?”

Às vezes nos perguntamos: Será que Deus ficaria em silêncio para conosco por algum motivo proposital? Se essa atitude for inerente à Sua personalidade, teria algum objetivo a ser alcançado? Na Bíblia encontramos o registro de uma situação onde o céu ficou em total silêncio. O Apóstolo João numa de suas visões, enquanto esteve preso na Ilha de Patmos, afirma ter presenciado um silêncio no céu por um tempo indeterminado, que ele calculou ter sido de quase meia hora. “E, havendo aberto o sétimo selo, fez-se silêncio no céu por quase meia hora.” (Ap. 8:1).

Refletindo a respeito desse silêncio no céu, comecei a questionar comigo mesma, se esse silêncio teria alguma significação simbólica, para nosso aprendizado espiritual nos dias de hoje. Encontrei algumas respostas que poderiam ser totalmente aceitáveis; assim, entenderemos melhor a personalidade divina, com respeito a Sua comunicação para conosco, seus filhos.

Um fato que me chamou a atenção foi que esse silêncio aconteceu em decorrência da abertura do sétimo e último selo. Selo fala de segredo e de algo ainda não revelado. Quando um selo é rompido, além de poder ser feito somente pela pessoa autorizada a fazê-lo, significa que essa pessoa está disposta a tornar público o que estava oculto até então.

É importante lembrarmos que antigamente, o selo era um pedaço ou um torrão de argila, usado para fechar um livro ou um documento secreto, e que trazia a impressão de um selo; essa impressão era obtida por uma espécie de carimbo feito em pedra e colocado em um anel, que poderia ser usado na mão ou no braço. Para abrir um documento ou um livro selado, seria necessário quebrar esse selo; isso só poderia ser feito pelo detentor daquele selo, ou por outra pessoa que ele autorizasse. Desta forma, o selo era sinal de possessão.

Entendemos então, que naquela revelação algum segredo seria desvendado e divulgado publicamente. Naquele momento instalou-se o silêncio, pois, sendo o último selo, todos os que ali estavam presentes, ficaram na expectativa de que algum segredo bombástico, bom ou ruim, poderia ser desvendado. Aquele silêncio que durou quase meia hora foi quebrado pelo toque de uma trombeta. Imagino que se aquela situação acontecesse literalmente conosco, seres humanos, nosso coração estaria batendo mais forte a cada minuto que passasse e quando ouvíssemos o soar da trombeta, sentiríamos nosso coração como que querendo sair pela boca.

Na verdade, ninguém gosta do silêncio, pois ele inquieta nossa alma e nos faz rever se tomamos ou não, alguma atitude errada. Lembro-me que quando eu era criança e que meu pai me olhava fixamente nos olhos, instintivamente surgia dentro de mim a pergunta: “o que foi que eu fiz?” Com a experiência de vida que tenho hoje e me colocando dentro daquela situação relatada pelo Apóstolo João, entendi que Deus silencia, para que olhemos para dentro de nós e busquemos mais ardentemente pela Sua presença. É nesse silêncio que nossos corações são desmascarados e percebemos que ainda temos lutado muito, para segurar as rédeas das situações adversas que vivenciamos e assim, reconhecendo nossa fragilidade, percebemos que ainda necessitamos depender mais de Deus, do que das nossas forças e capacidades.

Recapitulando, entendemos que Deus faz silêncio para nos chamar a atenção para algo importante e surpreendente que está para acontecer; também para desmascarar nossos corações orgulhosos e auto-suficientes e passarmos a depender somente dEle; também para olharmos o vazio que se instalou dentro de nós, porque deixamos de ouvi-lo e principalmente porque deixamos de cultivar uma íntima comunhão com Ele; e por último Deus silencia para que voltemos nosso olhar para Ele, porque com certeza, Ele tem algo a nos dizer.

Quando foi a última vez que você parou para ouvir Deus? Quando foi a última vez que você ouviu o silêncio de Deus? Deus tem, no mínimo quatro respostas: sim, não, espera e o silêncio. A mais difícil de enfrentar é o silêncio, mas é justamente o silêncio que antecede o fator surpresa. O silêncio do céu é diferente do silêncio da terra. Quando ficamos em silêncio, ou é porque não temos resposta, ou é porque não queremos magoar aqueles que estão dependendo de uma palavra nossa. Quando Deus fica em silêncio é porque Ele tem resposta e a resposta, pode ou não, ser a que o nosso coração espera; porém devemos crer que a resposta que vem da parte de Deus, sempre será a melhor para a solução do nosso problema.

Creio que quando conseguirmos compreender a linguagem do silêncio, então teremos alcançado o equilíbrio emocional que Deus tanto deseja e quer para nossas vidas.

terça-feira, 19 de julho de 2011

TRILHANDO PELO CAMINHO DAS PEDRAS

by Sonia Costa

Todos nós encontramos muitas “pedras” ao longo de nossa caminhada por esta vida. Na maioria das vezes elas nos machucam e interferem diretamente no nosso estado emocional e comportamental. Se as considerássemos como oportunidades, e não como dificuldades, poderíamos alcançar resultados mais satisfatórios e benéficos para nós mesmos. Não podemos ignorá-las, porém, a solução será encontrada na forma como lidamos com elas.

Muitas vezes passamos a vida toda pedindo a Deus para remover nossas dificuldades e não percebemos que nos bastaria apenas uma iniciativa ou uma simples atitude, e o problema já estaria resolvido. Como humanos que somos, ou por displicencia ou por falta de sabedoria, jogamos fora as pedras preciosas, colecionamos as que não servem para nada, e ainda ficamos reclamando de nossa “sorte”.

Podemos ignorá-las e seguir em frente ou então mudarmos a direção de nossa caminhada; às vezes tropeçamos em alguma delas e perdemos tempo analisando o tamanho, a qualidade ou mesmo o valor dessa “pedra” e esquecemos de correr atrás de nossos sonhos. Deixamos a vida passar sem realizarmos nada de produtivo pois nos falta coragem de removê-las ou abraçá-las e enfrentar as consequencias que poderão advir de uma ou de outra atitude.

Para compreendermos melhor essa reflexão, temos alguns exemplos bíblicos que poderão ajudar nossa compreensão. Para ressuscitar Lázaro Jesus ordenou aos presentes que tirassem a pedra que bloqueava a entrada do túmulo (Bíblia Sagrada, João 11:38-45). Marta foi a primeira a questionar o Mestre dizendo que já era de 4 dias e cheirava mal; suas palavras exprimiam a realidade dos fatos, pois com certeza, ninguém alí estaria disposto a sentir o cheiro fétido de um corpo em decomposição. Estavam mais preocupados com o problema em si do que com a solução que Jesus poderia dar; se por um lado estavam se mostrando acomodados à situação de passar o resto da vida sem Lázaro, por outro não criam no milagre que Jesus poderia realizar, trazendo a vida de volta àquele corpo morto e já enterrado.

Quando Jesus chega para solucionar uma de nossas dificuldades, na maioria das vezes, nós mesmos somos o maior empecilho para a realização do milagre. Chegamos ao ponto de vermos nossa bênção ressuscitada ou restaurada, mas não queremos abraçá-la, simplesmente por escrúpulos sociais, pois nos preocupamos com a opinião alheia, de termos enterrado um sonho e agora estamos novamente buscando sua realização. Poderemos ser acusados de não saber o que queremos, pois uma hora “enterramos” nossos anseios e outra hora os “ressuscitamos”. Cabe aqui dizer que não podemos ser inconstantes como as ondas do mar; precisamos ser definidos em nossas decisões. Se almejamos alcançar um objetivo, não podemos desistir no meio do caminho, até mesmo diante da morte, pois para Deus, que é o dono da vida, a morte é apenas um detalhe.

Temos um outro exemplo quando três mulheres foram visitar o túmulo de Jesus e estavam preocupadas em como removeriam a pedra que havia sido colocada para bloquear a entrada. Quando chegaram perceberam que a pedra já havia sido removida; o proprio anjo do Senhor fez o que elas não poderiam fazer. A pedra não fora removida para que Jesus ressuscitasse, mas para que as mulheres pudessem constatar que o corpo de Jesus não estava mais alí.

Vamos analisar. Se Jesus tivesse ressuscitado sem a remoção da pedra, quem iria comprovar o fato? Com o passar do tempo, mesmo que alguém ousasse remover a pedra para pesquisas científicas a respeito do corpo de Jesus, nada encontrariam e poderiam concluir que os guardas haviam vacilado na segurança, dando ocasião para que alguém pudesse roubar o corpo; assim, a ressurreição passaria a ser um mito não comprovado na historia judaica. Dessa forma entendemos que a pedra foi milagrosamente removida, não para que Jesus ressuscitasse, mas para que a humanidade constatasse com seus proprios olhos, o milagre que acontecera.

Nesse fato podemos entender a vontade soberana de Deus; quando Ele deseja realizar algum propósito em nossa vida, Ele faz acontecer, independentemente da nossa vontade e/ou atitude. Quando Deus tem um propósito para nossas vidas, Ele mesmo remove os empecilhos e faz com que o sonho seja realizado, não necessitando de nossa interferencia na situação. Nossas preocupações são totalmente dispensáveis diante da vontade do nosso Criador.

Nos exemplos citados anteriormente, tanto na ressurreição de Lázaro, quanto na de Jesus vemos apenas diferença de propósitos e objetivos a serem alcançados por Deus, porém em ambos a pedra representava dificuldades. No primeiro exemplo, Deus levou o homem a uma atitude de remover a pedra, para que através do milagre da ressurreição de Lázaro, Seu nome pudesse ser glorificado entre os homens. Na ressurreição de Jesus, Deus não aceitou nenhuma interferencia humana para que ninguém se achasse digno de adoração, por ter “ajudado” de alguma forma na realização do plano divino de resgatar o homem do seu estado pecaminoso; Deus nos amou de tal maneira, que se deu voluntariamente a si mesmo, para nos trazer salvação. (Bíblia Sagrada, Jo. 3:16)

Encontramos outros acontecimentos registrados na Bíblia Sagrada, onde entendemos que as pedras encontradas eram oportunidades de bênçãos. Após ter vencido os filisteus, Samuel colocou uma pedra entre Mispa e Sem e chamou o seu nome Ebenezer, que significa “Até aqui nos ajudou o Senhor”; aquela pedra simbolizou um altar onde puderam glorificar e exaltar o Nome do Senhor Deus dos Exércitos (Bíblia Sagrada, I Sm. 7:12). Um segundo exemplo de oportunidade foi uma das cinco pedras que Davi utilizou para derrotar Golias que desafiava o povo de Israel (Bíblia Sagrada, I Sm. 17:49).

Se a dificuldade que estamos enfrentando for no âmbito secular, Deus, através de seu Espírito Santo, nos levará até onde a pedra estiver e nos dará orientações para saber se deveremos removê-la de nosso caminho ou utilizá-la como uma oportunidade para a realização do milagre que esperamos. Se for no âmbito espiritual, não precisamos nos preocupar com os obstáculos que bloqueiam nossa vontade de conhecer Deus, pois ao contemplar nossa intenção, Deus mesmo remove as pedras da cegueira e da ignorancia espiritual para que possamos nos encontrar com Ele; somos conduzidos pelo caminho (Jesus), para que possamos ter um encontro de paz com o nosso Criador.

De qualquer forma, sempre será melhor caminharmos em direção ao túmulo de Jesus, para constatarmos que Ele ressuscitou e que através dEle podemos ter comunhão com Deus o Pai e O recebermos como Senhor de nossas vidas. A partir de então Ele nos levará pelos caminhos da nossa existencia e nos mostrará o que fazer com as pedras que encontrarmos para que Ele tenha a liberdade de realizar tanto os milagres que precisamos, quanto os que desejamos.

“Podemos utilizar as pedras encontradas no caminho, para fazer delas um caminho de pedras.”

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Multidões de Pensamentos Contrários

by Sonia Valerio da Costa
http://www.artigosecronicas.com.br/

O comportamento das multidões tem sido objeto de estudo das Ciências Sociais, principalmente pela forma de agir dos seus integrantes, quando estão diante de situações inesperadas.

Os indivíduos que as integram podem ser influenciados por um estímulo externo, por suas próprias lideranças, ou também por seus demais participantes; todos agem de uma forma inconsciente e incontrolável, como se um elo invisível os unisse numa só pessoa e cada indivíduo sentisse o contato com os demais como uma extensão de si próprio. O comportamento das massas tem um efeito dominó; basta por exemplo, que alguém comece a correr, que todos o seguirão. É o que chamamos de efeito manada.

Algumas multidões se manifestam de forma pacífica, com o objetivo de conscientizar seus seguidores em torno de uma causa nobre; outras, quando se unem, apresentam mais agressividade, principalmente quando o objetivo é político-social. O mais preocupante é quando, duas multidões com objetivos diferentes, se encontram, pois as consequências sempre serão imprevisíveis. Numa situação dessas, poderá haver tanto um confronto, quanto uma concordância de ambas em unir forças, objetivando ampliar os motivos a serem reivindicados.

Uma terceira possibilidade que também pode acontecer, é quando o objetivo de uma se sobrepõem de tal forma ao da outra, que a mais fraca abre mão dos seus objetivos em favor dos objetivos e ideais da outra. Parece um tanto utópico pensarmos que uma multidão possa absorver integralmente a outra, mas a Bíblia registra um fato assim e como isso aconteceu de uma forma tão maravilhosa e sem precedentes na história da humanidade.

Foi na cidade de Naim onde uma pobre viúva acabara de perder seu único filho. Seus parentes e amigos foram chegando e logo formou-se uma grande multidão, cujo propósito era chorar e consolar o coração daquela mulher. A morte fora mais forte que a medicina daquela época; todos os planos e sonhos daquela viúva, idealizados para o futuro de seu filho, foram frustrados pela impotência do ser humano diante da morte.

Assim que a multidão iniciou o cortejo fúnebre, a dor, a tristeza e a angústia foi se espalhando por todos, como ondas em forma de osmose emocional; nada nem ninguém da terra poderia mudar o curso daquela historia que, fatalmente, terminaria no cemiterio e depois, para sempre, ficaria apenas a lembrança dolorosa da separação, principalmente para os familiares.

Enquanto o jovem estava com vida, ainda havia esperança que aquela situação pudesse ser revertida; mas morto, nada mais restava a ser feito, a não ser sepultá-lo. Justamente quando aquela multidão cruzava o portão de saída da cidade, para caminhar em direção ao cemitério, aconteceu o inesperado; uma outra multidão, liderada por Jesus Cristo entrava na cidade.

Enquanto a multidão que saia da cidade havia sido formada em torno da morte, a que entrava havia sido formada em torno da vida, da paz e da alegria. A que saía, chorava; a que entrava, sorria. A que seguia a morte, perdera as esperanças; a que seguia a vida, sonhava com dias melhores. A primeira caminhava para o fim da vida; a segunda caminhava para o inicio de uma nova vida. Um grande contraste; um verdadeiro paradoxo. Impossível não pensar nas peculiaridades e objetivos expressados na manifestação de cada multidão.

Em respeito à dor e ao sofrimento, o normal seria que a multidão que entrava na cidade parasse, para que a que estava saindo pudesse passar com segurança; mas não foi isso que aconteceu. Jesus Cristo, sendo Filho de Deus, seria o único com autoridade para interromper um funeral, sem ser questionado por atitude tão controversa. A multidão que seguia a Jesus estava familiarizada com seus milagres de cura, libertação, transformação, mudança social e também ressurreição; já estavam acostumados com as atitudes de Jesus, que em princípio eram incompreensíveis, mas no final sempre presenciavam Seus milagres.

Como lider da multidão que entrava, Jesus ficou emocionado diante da triste cena de uma viúva que perdera seu único filho, e por isso parou o enterro e disse àquela viuva: “não chores”. Ninguém, de nenhuma das duas multidões, ousou questionar a atitude de Jesus; pararam e aguardaram em silêncio, apenas observando o que iria acontecer. Sendo um líder carismático as palavras de Jesus, sempre transmitiam segurança e acalmavam as multidões. Sendo o dono da vida, Jesus poderia dizer para que a viuva não chorasse, pois somente Ele teria condições de reverter aquele ambiente de tristeza, em alegria.

Foi o que aconteceu. Jesus ordenou ao defunto que ressuscitasse e, imediatamente o jovem sentou-se no caixão, deixando todos os presentes perplexos com aquela manifestação milagrosa; Jesus apenas o devolveu à sua mãe. Como não tinham mais defunto para sepultar, aquela multidão que caminhava cabisbaixa, acabou se misturando à outra que vinha glorificando a Jesus. Não foi necessario pedir-lhes que seguissem a Jesus, pois de forma expontânea a multidão que seguia a “Vida”, absorveu totalmente a que seguia a “Morte”.

Quando refletimos sobre aquele acontecimento, percebemos que a humanidade hoje, também está dividida em duas multidões semelhantes àquelas. Uma caminha em direção à morte, pois já perdeu todas as suas esperanças de viver dias melhores; seus indivíduos praticamente já jogaram a toalha e estão vivendo apenas por inercia. Já bateram em tantas portas, já buscaram solução servindo tantos a homens, quanto a santos e até mesmo a diversos deuses, mas tudo tem sido em vão.

Muitos integrantes da multidão que caminha para a morte, tentam desesperadamente encontrar Deus, mas não conseguem pois pensam que podem encontrá-lo sem passar por Jesus. Sendo Filho de Deus e também o próprio Deus encarnado, Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim. Se vocês realmente me conhecessem, conheceriam também o meu Pai. Já agora vocês o conhecem e o tem visto” “quem me vê, vê o Pai” (Bíblia Sagrada, Jo. 14:6-7 e 9b). Quando em nossa caminhada pela vida, temos o privilegio de encontrar Jesus, logo passamos a seguí-lo, pois Ele nunca despede ninguém vazio. Ele sempre tem uma bênção a nos oferecer, além da salvação e também da vida eterna.

Se é necessario passarmos por Jesus para que nos encontremos com Deus, onde então poderemos encontrá-lo? “Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito; contudo, vocês não querem vir a mim para terem vida” (Bíblia Sagrada, Jo. 5:39-40). Quando lemos na Bíblia Sagrada a respeito da vida de Jesus, suas viagens, obras e milagres, seu comportamento, gostos e relacionamentos, seus ensinamentos, diretrizes e planos, seu poderio, sua natureza e emoções, etc., vamos aprofundando nossa comunhão com Ele e, paralelamente, assimilando a personalidade de Deus em nossas vidas. Essa nova experiência de viver em comunhão com Deus, nos levará, com certeza, a trocarmos de multidão; é com alegria que deixamos de seguir a morte e passamos a seguir a vida, a vida eterna.

Para refletir: qual das multidões estamos seguindo? A da vida ou a da morte? Se seguirmos a da vida, teremos a vida eterna e viveremos eternamente com Deus. Se seguirmos a da morte, nossa vida se acabará na solidão eterna, separados do Deus Todo Poderoso, que nos criou! Pense nisso e seja mais um integrante da multidão que está seguindo Jesus e também a vida eterna.

“Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vós o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Palavras de Jesus, Bíblia Sagrada, Mt. 11:28-30)

Por Sonia Valerio da Costa
Em 22/06/2011