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sábado, 1 de dezembro de 2012

A pregação contemporânea: Bonita e vazia

Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.
(2 Timóteo 4:2-4)

Por John MacArthur


Você já percebeu como diversos comerciais de televisão não falam especificamente sobre os produtos que anunciam? Um anúncio de jeans apresenta um comovente drama a respeito da infelicidade dos adolescentes, mas não se refere ao jeans. Um comercial de perfumes mostra uma coletânea de imagens sensuais sem qualquer referência ao produto anunciado. As propagandas de cerveja são algumas das mais criativas da televisão, mas falam muito pouco sobre a própria cerveja.

Esses comerciais são produzidos com o objetivo de entreter, criar disposição e apelar às nossas emoções, mas não para transmitir informações. Com freqüência, eles são os mais eficientes, visto serem os que fazem melhor proveito da televisão. São produtos naturais de um veículo de comunicação que promove uma visão surrealista do mundo.

A televisão mescla sutilmente a vida real com a ilusão. A verdade é irrelevante. O que realmente importa é se estamos sendo entretidos. A essência não significa nada; o estilo de vida é o que mais interessa. Nas palavras de Marshall McLuhan, o instrumento é a mensagem.

Amusing Ouselves to Death (Divertindo-nos até à morte) é um livro perceptivo mas inquietante escrito por Neil Postman, professor da Universidade de Nova Iorque. Ele argumenta que a televisão nos tem mutilado a capacidade de pensar e reduzido nossa aptidão para a verdadeira comunicação.

Postman assegura que, ao invés de nos tornar a mais informada e erudita de todas as gerações da História, a televisão tem inundado nossas mentes com informações irrelevantes, sem significado. Ela nos tem condicionado apenas ao entretenimento, tornando obsoletas outras formas de interação humana.

Postman ressalta que até os noticiários são uma apresentação teatral. Jornalistas simpáticos relatam calmamente breves notícias sobre guerras, assassinatos, crimes e desastres naturais. Essas histórias catastróficas são intercaladas por comerciais que banalizam suas informações, isolando-as de seu contexto. Em seu livro, Postman registra um noticiário em que um almirante declarou que uma guerra nuclear mundial seria inevitável. No próximo segmento da programação, houve um comercial do Rei dos Hamburgers. Não se espera que nossa reação seja racional. Nas palavras de Postman, .os espectadores não reagirão com um senso da realidade, assim como a audiência no teatro não sairá correndo para casa, porque alguém no palco disse que um assassino estava solto na vizinhança..

A televisão não pode exigir uma resposta sensata. As pessoas ligamna para se divertir, não para serem desafiadas a pensar. Se um programa exige que pensemos ou demanda muito de nossas faculdades intelectuais, ninguém o assiste.

A televisão tem diminuído o alcance de nossa atenção. Por exemplo, alguma pessoa de nossa sociedade ficaria de pé, entre uma sufocante multidão, durante sete horas para ouvir os debates dos candidatos a presidente da República? Sinceramente, é muito difícil imaginar que nossos antepassados possuíam esse tipo de paciência. Temos permitido a televisão nos fazer pensar que sabemos mais agora, enquanto na verdade estamos perdendo nossa tolerância na área de pensar e aprender.

Sem dúvida, a mensagem mais vigorosa do livro de Postman está em um capítulo sobre religião. Esse homem não-crente escreve com profundo discernimento a respeito do declínio da pregação. Ele contrasta a pregação contemporânea com o ministério de homens como Jonathan Edwards, George Whitefield e outros. Estes homens contavam com um profundo conteúdo, lógica e conhecimento das Escrituras. Em contraste, a pregação de nossos dias é superficial, com ênfase no estilo e nas emoções. Na definição moderna, a .boa. pregação tem de ser, antes de tudo, breve e estimulante. Consiste em entretenimento, não em ensino, repreensão, correção ou educação na justiça (2 Tm 3.16).

O modelo da pregação moderna é o evangelista esperto que exagera as emoções, traz consigo um microfone, enquanto anda pomposamente ao redor do púlpito, levando os ouvintes a baterem palmas, movimentarem- se e fazerem aclamações em voz bem alta, ao tempo em que ele os incita a um frenesi. Não existe alimento espiritual na mensagem, mas quem se importa, visto que a resposta é entusiástica?

É lógico que a pregação em muitas das igrejas conservadoras não se realiza de maneira tão exagerada assim. Mas, infelizmente, até algumas das melhores pregações de nossos dias contêm mais entretenimento do que ensino. Muitas igrejas têm um sermão característico de meia hora, repleto de histórias engraçadas e pouco ensino.

Na verdade, muitos pregadores consideram o ensino de doutrinas como algo indesejável e sem utilidade prática. Uma grande revista evangélica recentemente publicou um artigo escrito por um famoso pregador carismático. Ele utilizou uma página inteira para falar sobre a futilidade tanto de pregar quanto de ouvir sermões que vão além de mero entretenimento. Qual foi a sua conclusão? As pessoas não recordam aquilo que você pregou; por isso, a maior parte da pregação é perda de tempo. .Procurarei fazer melhor no próximo ano., ele escreveu, .isto significa desperdiçar menos tempo ouvindo sermões demorados e gastando mais tempo preparando sermões curtos. As pessoas, eu descobri, perdoarão uma teologia pobre, se o culto matinal terminar antes do meio-dia..

Isto resume com perfeição a atitude que predomina na igreja moderna. Existe uma semelhança entre esse tipo de pregação e os comerciais de jeans, perfume e cerveja na televisão. Assim como os comerciais, a pregação moderna tem o objetivo de criar uma disposição íntima, evocar uma resposta emocional e entreter, mas não o de comunicar necessariamente algo da essência das Escrituras. Esse tipo de pregação é uma completa acomodação a uma sociedade educada pela televisão. Segue o que é agradável, porém revela pouca preocupação com a verdade. Não é o tipo de pregação ordenada nas Escrituras. Temos de pregar a Palavra (2 Tm 4.2); falar .o que convém à sã doutrina. (Tt 2.1); ensinar e recomendar .o ensino segundo a piedade. (1 Tm 6.3). É impossível fazer estas coisas se nosso alvo é entreter as pessoas.

O futuro da pregação expositiva é incerto. O que um pastor sincero tem de fazer para alcançar pessoas que se mostram indispostas e incapazes de ouvir com atenção e raciocínio exposições da verdade divina? Este é o grande desafio para os líderes da igreja contemporânea. Não devemos nos render à pressão para sermos superficiais. Temos de encontrar maneiras de fazer conhecida a Palavra de Deus a uma geração que não apenas recusa-se a ouvir, mas também não sabe como ouvir.

John MacArhtur, autor de mais de 150 livros e conferencista internacional, é pastor da Grace Comunity Church, em Sum Valley, Califórnia, desde 1969; é presidente do Master’s College and Seminary e do ministério “Grace to You”; John e sua esposa Patrícia têm quatro filhos e quatorze netos.
Fonte: Editora Fiel

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Entrevista com Jaime Kemp

O tema não poderia deixar de ser sobre Família, a especialidade deste grande amigo, meu professor e exemplo de vida para mim.
Tenho certeza de que você ouvirá muita coisa que precisa ser praticada, para que a sua família fique ainda melhor.

                      
Nós temos filhos

DVD de Jaime Kemp distribuído pela Editora Naós



quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ainda dá pra ser feliz

Respeite a realidade do outro.

Todos têm sua história, suas frustrações, as marcas que ficaram. Aprenda a conviver com o outro na ótica do outro. Tem uma máxima interessante em alguns grupos de casais: ninguém se casa enganado e ninguém muda ninguém. Se usarmos a “história meio ao contrário” como base, imagine a pastorinha que nunca saiu dos campos da fazenda em que seu pai trabalhava, vivendo agora nos palácios do Príncipe Encantador? A questão não é o dinheiro de cada um, mas a realidade interna que trará reações absurdamente distintas entre si em coisas que serão comum dali em diante. Há de haver respeito pelo que o outro é: cultura, expectativa, história, emoções, ou haverá muita frustração na relação, mesmo com muito amor.

Deus não muda o outro por sua causa.

A ação transformadora do Espírito Santo na vida de um homem e de uma mulher, é para levá-lo a se parecer cada dia mais com o criador e prepará-lo para encontrar-se com Ele um dia. Não por minha causa, não por sua causa. Este entendimento egoísta da ação de Deus na história, a partir do umbigo do indivíduo, já me trouxe oportunidades engraçadíssimas, como de uma pessoa que afirmava que ouviu de Deus, que seus problemas conjugais seriam resolvidos em até no máximo 60 dias.
 
Especulei como pude, e descobri que aquela pessoa acreditava que aquele cônjuge “mau” seria alvo de punição divina e partiria (para a eternidade) naquele tempo determinado. Afirmei para ela que o desafio não era viver sem ele, mas viver com ele. Certamente, o conceito que ela tinha a meu respeito diminuiu quando não partilhei da sua euforia, e não tive mais contato. Sempre os revejo por aí.

VIDA AMARRADA Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais
formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo...

- Nós nos amamos e vamos nos casar - disse o jovem. E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã... alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos... que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte.
Há algo que possamos fazer?
E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse:
- Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada...
Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e, apenas com uma rede e tuas mãos
deves caçar o falcão mais vigoroso do monte e trazê-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia.
E tu, Touro Bravo, continuou o feiticeiro,
deves escalar a montanha do trono, e lá em cima,
encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e uma rede,
deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva!
Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada.
No dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves dentro de um saco de linhagem. O velho pediu que com cuidado as tirassem dos sacos e viu eram verdadeiramente formosos exemplares.
E agora o que faremos? - perguntou o jovem: - as matamos e depois bebemos a honra de seu sangue?
Ou as cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? - propôs a jovem.
- Não! - disse o feiticeiro, apanhem as aves, e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro; quando as tiverem amarrado, soltem-nas, para que voem livres.
O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros. A águia e o falcão, tentaram voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela incapacidade do vôo, as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.

E o velho acrescentou:
- Jamais esqueçam o que estão vendo; este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão; se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, aprendam a voar juntos, mas jamais amarrados.

Lenda Entre os Índios Sioux

sábado, 23 de julho de 2011

A Vida É Dura para Quem É Mole

Extraído deste livro

Já vivi o suficiente para descobrir que a vida “não é brinquedo não”. É preciso manter a forma, tanto mental, como emocional e espiritual. Ultimamente muito tem se falado a respeito de uma atividade que, sem dúvida alguma, pode se tornar decisiva: o preparo físico. Em alguns momentos, este ponto é que fará a diferença.

Não pretendo me apresentar como o atleta do século. Candidatar-me ao título de Mister Universo, nem pensar. Simplesmente faço algumas flexões, ameaço umas abdominais e pratico várias formas de alongamento.         

Gosto de praticar esportes, e de vez em quando ainda faço umas caminhadas. Diga-se de passagem, durante uma boa caminhada podemos orar e meditar na Palavra, unindo assim o útil ao agradável.

Apesar de poder enumerar algumas de minhas atividades físicas, não me considero um modelo de desportista.

Enquanto eu lecionava no Seminário Palavra da Vida, em Atibaia, motivado pela filosofia pedagógica, acompanhava os alunos durante a prática de educação física e os esportes. A idéia era que quanto mais os professores convivessem com os alunos, maior seria a influência sobre eles.

Chegamos a apelidar o campo de futebol como “laboratório de pesquisa do velho homem”. E quer saber de uma coisa? Não conheço um local melhor para medir quantos quilos de carne suja ainda carregamos! Dava para perceber claramente, em alguns lances mais disputados, como a carne milita contra o espírito.


Meus filhos passaram boa parte da sua infância neste ambiente de convivência e desafios. Andaram comigo por estes caminhos que provocam a alma e estimulam reações boas e más. Ninguém melhor do que minha família pôde constatar que sou normal, algumas vezes reajo bem e em outras... Hum, é melhor nem pensar!

Bom, vamos mudar de assunto. Nada como o ar bucólico para nos estimular a prática de alguns esportes, não é mesmo? Em Atibaia, Lídia e eu levávamos as crianças para algumas atividades. Caminhávamos em volta do lago, parávamos para pescar alguns lambaris, disputávamos corridas, nadávamos juntos na piscina e até alpinismo já fizemos.

Naquela época, eles não eram páreo para mim. Hoje, adivinha quem não é páreo para quem? Em tempos idos, quem me visse passar correndo, dizia: “Lá vêm os filhos do Bira correndo atrás dele!” Hoje, quando eles passam, o povo pergunta: “Cadê o Bira? Será que ele vai chegar?” Minha certidão de nascimento amarelou e eu tenho de dosar um pouco, se não, acabo azulando. Estas coisas não são fáceis para quem já está queimando óleo pra lá de cinqüenta...

Na realidade, estes momentos de práticas esportivas eram oportunidades para a família ficar junta. Você nem imagina como isto é bom. Dá até para chegar ao coração da criança bem mais rapidamente do que se limitarmos nosso relacionamento apenas aos discursos. Ninguém ensina a criança o caminho em que deve andar, apontando para o caminho, mas, sim, indo na frente e mostrando como se faz.

“Para que temas ao Senhor teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos, que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos dias da tua vida, e que teus dias sejam prolongados.” E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; “E as intimarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te” (Dt. 6.2, 6,7).

Este texto me traz uma idéia de movimento. Sentar, levantar deitar e andar. O que existe mais importante nesta vida do que ver seus filhos crescerem sadios, tanto física como espiritualmente? O preço deste prazer pode incluir algumas caminhadas. Jesus mesmo falou de caminhar com o ofensor por duas milhas. Não é qualquer um que agüenta isto, meu amado. É preciso tanto preparo físico quanto espiritual!


Enquanto a gente anda, conversa, avalia, pede perdão, dá as mãos e se abraça. Você conhece algum lugar neste mundo onde a gente é mais “lixado” do que o lar? As pressões são muitas e diante dos nossos não temos a mínima necessidade de dissimular, de fazer “cara de crente” ou recitar aquelas famosas frases feitas para quem deseja parecer consagrado. Em família, abrimos o verbo, não é verdade?